
Segundas-feiras, 9h10
OFICINA -COMO PLANEJAR UM ROMANCE (SETEMBRO
A DEZEMBRO)*
Como planejar (da cração
da história à escrita) um romance. Suas características, como construir
personagens, como descrever, narrar, que foco narrativo escolher.
A obra literária reconhecida como “ Romance” é uma grande herdeira do gênero narrativo, a qual
consagrou diversos escritores com o surgimento da prosa romântica, que vinha
surgindo da Europa em contraposição ao clássico, com outras idéias prosaicas.
Vale ressaltar algumas características do romance:
*os personagens e os acontecimentos podem
ser vários, interligados ao conflito central;
*pode ser verossímil ou totalmente
fictício;
*geralmente narrado na 3ª pessoa;
*os personagens antagonistas surgem e
desaparecem à deriva dos acontecimentos;
*é composto por: ação, espaço, tempo,
personagem e foco narrativo;*pode ser de natureza: histórica, de cavalaria,
policial, psicológico.
Definição:
Género literário de ficção narrativa. O romance distingue-se da
novela pela maior atenção dispensada às várias categorias e elementos que nele
ocorrem: espaço, tempo, personagens, etc. Desta forma, no romance são mais elaboradas
e detalhadas questões como a análise psicológica das personagens, as relações
estabelecidas entre estas e entre estas e o mundo.
O romance é um género de origem popular. Para além de
vários textos que, desde a antiguidade clássica, podem considerar-se como afins
do romance das literaturas modernas, é de destacar, pela importância que teve
na popularização deste género, a literatura cavaleiresca — nomeadamente, os ciclos romanescos em torno
da Távola Redonda e do rei Artur.
O romance, tal como é hoje concebido, tem as suas raízes mais recentes na época
clássica, estimulado pelo desenvolvimento de uma cultura laica e de uma maior
atenção à vida quotidiana e a todos os aspectos da experiência humana. Obras
como Gargantua e Pantagruel,
de Rabelais, As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, ou D. Quixote, de Cervantes, são
exemplo de romances marcantes na história deste género.
No entanto, foi já no século XIX que o romance sofreu o seu maior impulso, em
resposta ao gosto de um público crescentemente burguês, cada vez mais
alfabetizado e maioritariamente feminino, que
apreciava a fruição das experiências sentimentais, individuais, e os quadros
realistas de costumes (particularmente, e de forma precursora, na literatura
inglesa). É também neste período que se afirmam subgéneros
mais ou menos autónomos, como o romance de formação
(por exemplo, o Wilhelm Meister,
de Goethe), o romance gótico (Frankenstein, de Mary Shelley),
e o romance histórico (Walter Scott, Victor Hugo). A literatura portuguesa
sofreu fortemente esta influência, notória em escritores como Garrett e
Alexandre Herculano.
O romance acompanhou, de forma geral, o percurso das literaturas nas suas
várias tendências e escolas. Com o realismo pretendeu-se traçar, através do
romance, um quadro de análise da sociedade, de que é exemplo, na literatura
portuguesa, parte da obra de Eça de Queirós. Já no século XX, as
características (sobretudo formais) deste género
sofreram várias alterações. Assim, James Joyce e Virginia Woolf alteraram
radicalmente a construção do romance, construindo-o a partir do fluxo de
consciência de determinada personagem, por exemplo. Outros movimentos
posteriores, como o nouveau roman,
introduziram alterações significativas à noção de intriga, subvertendo os
cânones da estrutura espacial e temporal. Tal como nos outros géneros, a par de movimentos e elementos de vanguarda
mantiveram-se aspectos da tradição — é o caso do romance neo-realista e de
vários tipos de textos afins do realismo. O pós-modernismo, já nas últimas décadas
deste século, é uma reorganização e reelaboração da
tradição, o que de certa forma consagra a importância do romance nas
literaturas modernas.
http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.…
Márcia Oliveira
O romance, forma literária pertencente ao gênero narrativo, vem sofrendo,
durante os últimos três séculos, uma forte evolução no âmbito histórico e
estrutural, contemplando a Literatura com diversas obras clássicas ao longo do
tempo.
Por se tratar de uma espécie literária relativamente moderna, o
romance não possui raízes greco-latinas; no entanto, pode-se considerá-lo uma
das mais ricas criações artísticas das modernas literaturas européias.
De acordo com Vítor Manuel de Aguiar, já na Idade Média, o vocábulo
"romance" designou primeiramente a língua românica, considerada
vulgar por se tratar de uma língua originária do Latim vulgar e não do Latim
clássico e já havendo sofrido profundas modificações em relação a este idioma.
Só mais tarde é que a palavra "romance" passou a designar um estilo
literário dotado de profundo sentimentalismo, inicialmente, narrado em verso e,
posteriormente, em prosa.
Dependendo da importância dada ao personagem ou à ação, ou ao
espaço, podemos ter: romance de costumes, romance psicológico, romance
policial, romance regionalista, romance de cavalaria, romance histórico, etc. O
romance de cavalaria opunha-se ao romance sentimental. Enquanto o primeiro
compunha-se de bravos heróis dispostos a travar as maiores batalhas em nome de
sentimentos nobres como o amor, o segundo tratava-se de um texto analítico do
sentimento amoroso, podendo ter um cunho marcadamente erótico ou acentuadamente
sentimental. Porém, ambos não passavam de textos essencialmente voltados para o
público feminino, que tinha na Literatura sua principal fonte de entretenimento.
No período renascentista (século XVI) entra em voga o romance
pastoril, forma narrativa marcadamente culta, na qual a prosa mescla-se com o
verso, tendo como principal obra-prima do gênero a Diana, de Jorge de Montemor.
Tal romance teve uma extensa irradiação na Literatura européia dos séculos XVI
e XVII.
Mas é no século XVII que o romance passa a ter uma proliferação
extraordinária. O romance barroco, semelhante ao romance medieval
caracteriza-se pela imaginação exuberante, pelo excesso de aventuras
excepcionais e inverossímeis, como náufragos, duelos, raptos, aparições de
monstros, etc. E assim, através de longas e complicadas aventuras sentimentais,
o romance passa a agradar, pelo menos em parte, o exigente público deste
século.
No mesmo conceito de Literaturas européias desta época, ocupa um
lugar privilegiado na criação romanesca a Literatura espanhola, tendo no Dom Quixote, de Miguel de
Cervantes Saavedra sua principal representação. O
texto revela uma crítica em formato de sátira aos romances de cavalaria, pois
na visão de uma parte da sociedade européia o romance não constituía um texto
literário ideal, dotado de verossimilhança. Segundo Huet,
crítico literário francês do século XVII, o romance não passava de um estilo
literário alienante, que distanciava o público da realidade, através de emoções
fortes e devaneios excessivos, os quais não poderiam conviver com a vida
factual.
Entretanto, quando no século XVIII o sistema de valores da estética
clássica começa a perder sua homogeneidade e sua rigidez, e com o surgimento de
um novo público detentor de poder aquisitivo e cultural - a burguesia - o
romance conhece uma metamorfose e um desenvolvimento muito profundos, a ponto
do francês Diderot não aceitar a identificação do romance anterior ao século
XVIII e do novo romance deste mesmo século. Obras como Manon Lescault,
de Prévost e o Werther de Goethe demonstram que o romance
tornara-se incrivelmente penetrante, uma espécie de análise despudorada das
paixões e dos sentimentos humanos.
O público cansara-se do caráter fabuloso e exigia das obras
narrativas mais verossimilhança, mais realidade. Assim, com o surgimento do
Romantismo, o romance, que já havia conquistado seu respeito e autonomia, sofre
uma dilatação, um considerável aumento do seu público leitor. Essa dilatação
atua como negativa na qualidade da produção romanesca, sugindo
assim, novos tipos de romances, entre eles Romance negro ou de terror, que
obteve uma forte aceitação no final do século XVIII e nas primeiras décadas do
século XIX, constituindo uma das formas romanescas mais apreciadas pelo então
dilatado público; e o romance em folhetins, caracterizado pelas numerosas
aventuras descabeladas, pelo tom melodramático e pela freqüência de cenas
emocionantes, mantendo vivo o interesse do público de folhetim para folhetim.
Por conseguinte, ainda com o Romantismo, a narrativa romanesca
afirma-se decisivamente como uma importante forma literária, pronta para
expressar não só aspectos pertencentes ao homem, mas também aspectos
pertencentes ao mundo, seja em forma de romance histórico, psicológico,
poético ou simbólico, não importa. O fato é que o romance assimilou com
perfeição diversos gêneros literários e provou ser capaz de representar tanto
aspectos da vida cotidiana quanto aspectos de uma atmosfera poética, e até
mesmo a análise de uma ideologia, tornando-se uma das formas literárias mais
importantes de sua época e transformando o século XIX no período mais brilhante
de sua história.
Fonte: SILVA, Vítor Manuel de Aguiar e. Teoria da Literatura. Coimbra: Almedina,
1991.
|
A ORIGEM DO ROMANCE E DO TERMO --------------------------------------------------------------------------------------- Estudos Literários “O romance é
considerado, por alguns estudiosos, a mais independente, a mais elástica, a
mais prodigiosa, a mais completa de todas as formas artísticas”. Herdeiro da Epopéia, o Romance é um gênero
da literatura que pertence ao modo narrativo, assim como a Novela e o Conto.
O Romance é uma história que se conta, em geral, por meio de uma seqüência de
eventos que envolvem personagens em um cenário específico. Segundo Massaud Moisés (A Criação Literária), o
objetivo essencial do Romance, é o de reconstruir, recriar a realidade. Não a
fotografa, mas recria. O autor reconstrói a seu modo, um mundo seu, uma vida
sua, recriados com meios próprios e intransferíveis, conforme uma visão
particular, única, original. [•] O TERMO Há duas hipóteses
sobre a origem do termo “romance”: a) Pode ter-se
originado de romans
(vocábulo da língua provençal) que
por sua vez deriva da forma latina romanicus; b) ou teria vindo de romanice (hipótese mais convincente) que
designava qualquer obra escrita em romanço, língua falada nas regiões ocupadas pelos romanos,
e que já se diferenciava do latine loqui (falar latino); essa diferenciação foi
resultado da fusão do latim vulgar com a língua de um povo conquistado pelos
romanos (entre as línguas românicas está a
portuguesa). [•] PEQUENO HISTÓRICO Dessas hipóteses vem
o termo primitivo Romanço,
que passou a rotular obras de cunho popular e folclórico. E, como estas eram
de caráter predominantemente imaginativo e fantasista, o termo servia para
caracterizar essas narrativas, tanto em prosa, como Entretanto, foi na
Espanha que o romanço
em versos se tornou comum. Cultivou-se tanto que, por pouco, não se tornou
uma forma literária exclusivamente espanhola. O termo romance
começou a ser aplicado e tomou a forma que hoje conhecemos em meados do
século XVIII, junto com o Romantismo. Romance e Romantismo se ajustavam
perfeitamente com o novo espírito literário, motivado pelo natural desgaste
das estruturas sócio-culturais da época. A Epopéia, então, já desgastada,
cede definitivamente lugar a uma nova forma artística: O Romance. O mesmo se
dá com a poesia, que abandona o exclusivismo dos salões esnobes, das cortes
artificiais, e populariza-se. O Romance tinha o
objetivo de constituir-se no espelho do povo, refletir de maneira fiel a
imagem da sociedade. Para tanto, procura abranger tudo quanto era forma e
recurso de expressão literária. Quebravam-se, assim, as regras e modelos. “Servindo a burguesia em ascensão, o romance
tornou-se porta-voz de suas ambições, desejos, vaidades, e, ao mesmo tempo e,
sobretudo, ópio sedativo ou fuga da materialidade diária, [...],
oferecendo-lhes a própria existência artificial e vazia como espetáculo
[...]. Portanto, sem saber, gozam o espetáculo da própria vida como se fora
alheia, estimulando desse modo uma forma literária que funcionava como
espelho em que se miravam, [...]. Na verdade, oferecia-se aos burgueses a
imagem do que pretendiam ser, do que sonhavam ser e não do que, efetivamente,
eram.” (MOISÉS, Massaud;
A Criação Literária, 1973, p.188.) [•] O Emprego do Termo
Em Inglês, usa-se
«novel». Os dicionários registram a forma romance, mas apenas para narrativas
fabulosas ou fantásticas (ex.: romance de cavalaria). ü Em Francês, emprega-se roman. ü Em italiano, existe a forma romanzo. ü Em alemão
roman; nessas línguas o termo novela (nouvelle, novella, novelle) fica reservado para narrações mais breves, de um
tamanho entre o romance e o conto. ü Em Espanhol, o termo novela corresponde ao nosso romance. Romance ficou reservado para as narrativas curtas em versos. “Afora a denotação literária, cumpre lembrar o
sentido pejorativo adquirido pela palavra ‘romance’. Quando alguém nos conta
um [caso] longo e imaginoso [...] nos salta a seguinte observação: ‘Está
fazendo um romance do caso!’ Ou ainda: ‘também pudera, vive lendo romance o
dia inteiro!’ O vocábulo pode igualmente rotular o encontro amoroso de dois
sexos: ‘O romance entre eles vinha de longe’! [...].” (MOISÉS, Massaud, A Criação
Literária, 1973, p.181.) [•] ROMANCEIRO A transmissão dos
primeiros romances escritos encontrou grande obstáculo no analfabetismo das
populações. Daí decorre que sua divulgação passou a depender dos recitadores,
cantores e músicos medievais que apresentavam seu repertório musical e
literário oralmente (nas feiras, castelos e cidades). Primitivamente,
romanceiro designava uma antologia desses textos anônimos transmitidos
oralmente e depois compilados. Mais tarde romanceiro passou a referir-se a
antologias de textos populares. ®Sérgio. ________________________ Ajudaram
na elaboração deste glossário: Alfredo Bosi - História Concisa da Literatura. Assis
Brasil - O Romance, A Poesia, O Conto,
A Crítica - A Nova Literatura. Massaud Moisés - A
Criação Literária. Para
copiar este texto: selecione-o e tecle Ctrl + C. Agradeço
a Se |
|
Ricardo Sérgio |
|
Publicado no Recanto das Letras em
11/02/2007 |