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Este curso tradicional do Núcleo de
Literatura está completando 4 anos de sucesso e permanente atividade.
Um pequeno grupo de pessoas se reúne
na hora do almoço das terças-feiras para estudar e meditar a milenar e profunda
filosofia do I Ching.
A delicada iconografia do I Ching e sua simbologia milenar é atualizada e cotejada com
correntes modernas de pensamento favorecendo a compreensão.
I Ching
Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
O I Ching ou Livro das Mutações,
é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao
longo do tempo. É um dos mais antigos e um dos únicos textos chineses que
chegaram até nossos dias. Ching, significando clássico, foi o nome dado
por Confúcio à sua edição dos antigos livros. Antes era chamado apenas I:
o ideograma I é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou
conhecido no ocidente como "mudança" ou "mutação".
O "I Ching" pode ser compreendido
e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria. Na própria
China, é alvo do estudo diferenciado realizado por religiosos, eruditos e
praticantes da filosofia de vida taoísta.
Filosofia e cosmologia no I Ching
As oito figuras que formam o I Ching estão
na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os
chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto
o significado de "I" sempre foi objeto de discussão.
Alguns vêem o ideograma I como semelhante
ao desenho de um camaleão, representando o movimento (como o lagarto) e a
mutação (como o mimetismo do camaleão). Outros afirmam que o ideograma é
formado pelo do Sol em cima e o da Lua embaixo, a mutação sendo simbolizada
pelo movimento incessante destes astros no céu.
Para o pensameno chinês, não há o que mude,
há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é,
em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, "I" significa
mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma 'simplicidade'
que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com
as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho
do homem sábio.
Tanto o taoísmo como o confucionismo, as
duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I.
Tudo que ocorre no céu e na terra tem sua
imagem nos oito trigramas, que estão continuamente se transformando um no
outro. Têm várias camadas de significados, e representam processos da natureza.
São, portanto, o mundo arquetípico, ou o mundo das idéias de Platão. É usada
para ilustrá-los a analogia com a família:
o pai é forte
a mãe é maleável
os três filhos são as três fases do
movimento: início, perigo e repouso
as três filhas são as três etapas da
devoção: suave penetração, clareza e tranqüilidade
Em Heráclito, e mais tarde na dialética
européia, encontramos os ecos da fluidez que é a base do I Ching.
História
O I Ching surgiu antes da dinastia Chou
(1150-
A origem dos 64 hexagramas é atribuída a Fu
Hsi, o criador mítico chinês, e até a dinastia Chou eles formavam o I. Os oito
trigramas têm nomes não encontrados em chinês, sua origem é pré-literária.
O tempo obscureceu a compreensão das
linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento,
atribuído pela tradição ao rei Wên, e as Linhas, atribuídas a seu filho, o
duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia.
Mais tarde, mesmo o significado destes
textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez
Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas
não pode ser de sua autoria. O nome "I Ching" é dado ao conjunto dos
Kua e todos os textos posteriores.
O I Ching escapou da grande queima de
livros feita pelo tirano Ch'in Shih Huang Ti, no tempo em era considerado um
livro de magia e adivinhação, o que levou a escola de magos das dinastias Ch'in
e Han a interpretá-lo segundo outras visões A doutrina do yin-yang foi
sobreposta ao texto. O sábio Wang Pi veio a resgatá-lo como livro de sabedoria.
Houve várias traduções do "I
Ching" para línguas ocidentais, algumas claramente desrespeitosas,
tratando a cultura chinesa como primitiva. A tradução de Legge fez parte da
série Sacred books of the East (Livros sagrados do Oriente), e foi traduzida
também para o português.
Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o
alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão
japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e
sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. A edição alemã
é do ano de 1923. Wilhelm traduziu também outro clássico chinês, o Tao Te
Ching.
O uso oracular do I Ching
A ênfase no aspecto oracular do
"I" variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro
de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel,
era visto como oráculo.
Como todo oráculo, exige a aproximação
correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta. O
oráculo nunca falha, quem falha é o consulente: se a pergunta não foi clara e
precisa, isto indica que a pessoa não tem clareza sobre o que deseja saber. O
ritual tem a função psicológica de focar a atenção da pessoa na consulta.
A consulta oracular é feita com 50 varetas
(originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e
as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para
a obtenção da resposta. Dessa manipulação resulta uma linha firme ou uma linha
maleável, que podem ser móveis. As linhas firmes são resultado da obtenção dos
números 7 ou 9, e as maleaveis vêm dos números 6 ou 8. Destes, 6 e 9
correspondem a linhas móveis que, por estarem prestes a mudar, têm importância
na interpretação.
O I Ching, por ser um livro sagrado, e as
varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem,
embrulhados em seda também virgem.
No Japão, a consulta é feita com o uso de
três moedas.
Fonte
I Ching, tradução do chinês para o alemão
por Richard Wilhelm, 1923. Edição brasileira, 1982, traduzida do alemão por
Alayde Mutzenbecher e Gustavo Corrêa Pinto; traz o prefácio de C.G.Jung à
tradução inglesa. .