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A proposta deste
clube de leitura é ler em suas diversas camadas significativas a monumental
obra de Guimarães Rosa.
O Grupo se
reuniu todo o primeiro semestre e estamos na página 40 da obra, portanto,
bastante fácil de ser alcançado pelos novos participantes que chegarão ainda a
tempo de ler as demais 360 páginas do romance.
Grande Sertão: Veredas
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Grande Sertão:
Veredas é a expressão máxima do que a ensaísta Dirce Cortes Riedel
chamou de “sertão construído na linguagem", isto é, o sertão dos Campos Gerais apropriado e recriado pela poesia rosiana.
Mais extensa das narrativas do autor, o livro é a narração pelo personagem Riobaldo, de suas andanças pelo sertão.
O jagunço Riobaldo conta sua saga a um ouvinte letrado, cuja presença
é perceptível apenas pelas marcas que deixa no discurso do narrador. Em sua
saga, Riobaldo faz um pacto com o Que-Diga
(Lux-fero, aquele que porta a luz), no intuito de
vencer o silente Hermógenes. A vitória tem seu preço:
Riobaldo perde Diadorim (Deo-dorina,
presente de Deus, a Alma). A vitória tem também seu prêmio: Riobalado
"recebe" a riquíssima Otacília, a "moça da carinha redonda"
("prêmio esse eu merecia?").
O projeto de
João Guimarães Rosa
O sertão é “onde
o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar”, é o páthos em que a vida contemplativa e absurda suplanta o
automatismo da técnica moderna e do senso comum (“quando acordei, não cri: tudo
que é bonito é absurdo - Deus estável”). Esse páthos
é a altura desde a qual o homem transborda de sua individualidade e
redescobre-se no mundo.
Riobaldo, em suas andanças pelos Gerais, de uma feita, é
chamado, porquanto uma mulher “não estava conseguindo botar seu filho no
mundo”, “mulher tão precisada, pobre que não teria o com que para uma caixa-de-fósforos”. Em aquele “papiri
à toa”, à margem de toda bem-aventurança, entrevê, de súpeto,
o impossível da nascença: "’minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo
tornou a começar...’"
A aridez
sertaneja, enfatizada sobretudo na linguagem
visceralmente regionalista, contrasta com a dimensão universal da narrativa de Riobaldo. Homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e
divino, são aspectos de um mesmo conflito, exaustivamente contemplado pela
literatura universal (casos paradigmáticos são a Ilíada de Homero, a Divina
Comédia de Dante, o Dom Quixote de Cervantes e o
Fausto de Goethe) e que na obra de Guimarães Rosa figura sob o paradoxismo sertão-grande sertão. “E estou contando não é
uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente”.
Guimarães Rosa
declarou que esse romance é sua "autobiografia irracional". O nome do
herói, Riobaldo, na pronúncia de boa parte dos
habitantes sertanejos, é "Riobardo", ou
seja, "R-io-bardo" - "Rosa-eu-poeta".
O grande sertão
é o acontecimento do milagre no “vai-vem da vida burra” e cética, descrente de
si. É a constatação plena de que "viver é negócio muito perigoso...".
Como "autobiografia", é a proposta de se viver de forma transcendente
à limitada condição humana: ao invés de "viver para contá-la", o
autor vai "contar para vivê-la".
Adaptações
O livro foi
adaptado pela Rede Globo numa minissérie exibida no ano de 1985, escrita por
Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini,
com Tony Ramos no papel de Riobaldo e Bruna Lombardi
no papel de Diadorim. Para 2006 é previsto o lançamento desta minissérie em
DVD.